sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

***bye bye my dear cell phone***

Sábado estive numa festa bacana. Vou sempre lá, pessoas do bem circulam por ali. Nesse dia alguém nem tão do bem entrou e resolveu roubar o celular de algumas pessoas. A história é basicamente sobre isso.
Eu tava lá, bem feliz. Dancei, cantei, sorri. Quando fui usar meu celular, ops cadê? Nada. Nem fiquei muito tensa. Já vi outras pessoas perderem e acharem seus celulares e outras coisas por ali. Fui até um segurança e expliquei o que eu achei ter acontecido. Ele pediu pra eu esperar ali. Dentro da minha cabeça ainda não tensa, achei que ele voltaria com uns dois aparelhos e perguntaria qual o meu. De fato ele voltou e me chamou pra ir perto da entrada. Chegando lá uma mulher enfiava o dedo na cara de um rapaz todo errado.
-Você me roubou!
-Prova.
-Eu percebi cara!
-Se você me acusar de novo eu te processo.
Pronto. Bum. Caí na real: não perdi nada, não acharia nada. O cara entrou e roubou. Roubo feito, passou tudo adiante e estava ali, todo sapequinha vomitando direitos. Sim, ele tinha direitos e sabia todos decoradinho. Os seguranças pediram que ele entrasse numa sala e esperasse, ele berrou que era cárcere privado. Detalhe: diferente de muitas casas noturnas, onde pessoas de terno e gravata se acham num octógono em noite de UFC, ali todo mundo foi tranquilo, de boa. Me avisaram que não poderiam colocar a mão nele, nem nada, mas que a polícia estava chegando. Me ofereceram água, coca-cola, cerveja e cigarro. Eu queria meu telefoninho.
Foi me dando uma tristeza tão grande que eu abri o bocão. Bem aberto...

Não pelo valor do objeto em si. Não por nada. E por tudo. 
Me senti bem um nada. Era pra estar lá, me empolgando com alguma música, não ali.
Minhas fotos.
Meus vídeos.
Minha agenda.
Estava incomunicável.
Sem internet na palma da mão.
Sem sms com seu sininho feliz quando chega.
Sem minhas músicas.
Meu aplicativo que me faz dormir. Tá, quem tem sono dorme de qualquer jeito. Mas é meu momento mimimi.
Ciente que o combo rímel+lápis+delineador+lágrimas fica um desastre, pedi pra sentar nos guichês de entrada. Antes o tal ladrão queria saber por que eu tava chorando. Se eu ainda tivesse meu telefone, tinha quebrado na cabeça dele. As pessoas vinham comprar ficha comigo:
-Moça, me dá 30 reais de ficha?
-Deixa eu sofreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer.
E sofria. Bem drama queen.
Tomei uma água. A polícia veio, a polícia foi. Me deram um e-mail pra contato com a casa e números de telefone pra eu procurá-los na segunda-feira.
Entrei, encontrei meus amigos e fui sentar num camarote. Estranho ser espectadora dentro de um lugar onde a grande maioria está feliz. Estranho não saber o número do telefone de ninguém.
Na segunda-feira, emenda de feriado, fui à loja da operadora do celular, pegar o chip com meu número, pra poder reativar a linha. Sistema fail. Mais um dia de silêncio. E a besta do ladrão nem ganhou nada - acho - com isso. O telefone foi bloqueado, não tem como usar o aparelho. Tudo perda de tempo.
Aí acho que acaba sendo aquele processo de acreditar que ainda bem que eu nem vi, que ainda bem que só foi isso, que ainda bem que blá blá blá. No fim deve mesmo ter algum propósito tudo isso.
Terei outro aparelho. Minha linha está ok. Estou anotando os telefones de novo. 
Não sei terminar essa história de roubo, não havia sido roubada antes.Fiz o B.O. e a qualificada fui eu. Tá lá que eu sou loira,tenho um documento legal provando isso. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

***armando***

  Ela conheceu o Armando numa festa. A amiga estava andando por aí e ela desencontrou, curtindo uma música velha. Ele passou, se olharam, riram e do nada já eram muito próximos. Não tem como explicar ou tentar racionalizar: tem coisas que simplesmente acontecem, como se escritas há muito tempo, esperando serem lidas. Muita afinidade, muita alegria...quem disse que noite feliz é só no Natal? 
  A noite virou dia, que virou noite de novo, que virou dia, que virou noite... nessas noites e dias se falam demais, muitas vezes e por conta de coisas inimagináveis. Criaram coisas, imaginaram coisas, viveram coisas, sonharam coisas, escreveram coisas, comemoraram coisas. Grude eterno de mentes com lembranças. 
  Um dia ela precisava escrever algo sobre amizade. Sugeriram que escrevesse sobre Armando.
  -Não.
  -Mas vocês não são amigos?
  -Não. - entenda-se que não se trata de um não-negativo e sim de um não-sorriso. Sim, diga não sorrindo e você entenderá.
 - São o que? Vocês se falam todo dia. Aliás certeza que você conversa mais com ele do que comigo!
  - Não, amigo não.
  -Caso?
 -Caso é coisa anos 70, meio amante que cheira perfume doce. Não.
  - O que então?
 Ela não sabia o nome do que era. Queria se fazer entender, mas a colega em questão não compreenderia.
  Pensou nele, seriamente. 
 Entendeu algumas coisas, refletiu sobre outras, desencanou de nomear.
  O Armando não se define:se é.
  Ele não é gente, é um estado de espírito.
  É riso de bobeira, uma voz grave  muitas vezes atropelada pelo raciocínio rápido demais.Armando é a ansiedade em ser feliz. 
  É água e vento, é sol num dia azul. É a blusa molinha que se amolda ao corpo no dia frio. É cheiro de pessoa, carne sem perfume comprado. Só Armando cheira Armando.
  É brisa, é o além do que se vê. É sintonia absurda de pensar igual, exatamente igual e dizer muitas coisas ao mesmo tempo.
  É o sorriso enorme, tênis no pé e o pé na estrada.
  É samba, é praia, futebol e carnaval. É a música melada que toca e a gente decora logo.
  É o olho brilhando, o dia raiando, o longe que é perto. É o beijo bom e o abraço forte.
É preguiça e agitação. O lá e o aqui. Televisão ligada, conectado, antenado. E também alheio a tudo.
   Não promete nada, não combina nada e lá está. Armando é e só.
  - Ele não é meu amigo. Ainda não inventaram um nome pra o que ele é. 


buuuuu!!!!!!!!

mother jones

terça-feira, 17 de abril de 2012

***passou, passou...***

andei angustiada. não sei dizer a razão exata, tem só umas pistas.
problema todo mundo tem e acredito que eles existem pra ensinar, nos fortalecer.
de vez em quando o treino é pesado, mas eu dou conta.
surtei sozinha no quarto escuro. imaginei coisas ruins. chorei por nada que passava na tv.
depois dormi. sonhei. acordei inchada. óculos escuros tão aí pra que né?
e saí. respirei outros ares. vi as pessoas. conversei. passou, passou.
igual criança que chora, uma hora para. parei.
vou ali ser feliz de volta.
obrigada pra quem é amigo e me ouve.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

***meu Deus, como você é burro!***

Sim,bem burro. Mas não dá pra exigir tudo de todo mundo e a velha máxima de cada um dá o que tem.
Eu vivi razoavelmente essa vida e hoje creio ter vivido outras, com outra casca. Portanto, deu pra aprender um bocado de coisas. Uma delas foi não magoar as pessoas por burrice. Por falar coisas que não precisam ser ditas.
Tem horas que a boca fechada é um bálsamo. Ninguém quer mentiras, mas algumas verdades estão implícitas.Não as diga. Eu poderia dizer as minhas também.
Você me machuca.
Você se machuca.
Entre mortos e feridos às vezes não sobra ninguém.