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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

***sobre nós***


***e aí que eu peguei meu coraçãozinho meio cambaleante e o coloquei pra bailar. dois pra lá dois pra cá. de cambalear bambeaou e então encarou-me. ainda tínhamos uma chance: uma chance de fugir. 
eu fui dura com ele e disse que fosse. como uma criança que solta devagarinho a mão da mãe no primeiro dia de aula, primeiro ele pisou leve e como se olhasse pra mim pra verificar se eu estaria ali caso necessário , seguiu seu caminho. 
de bater o coração cansou. voltou logo, chorando pro meu colo, pedindo afago e reclamando de detalhes.
nós tivemos uma conversa bem longa. chegamos a conclusão que precisávamos entrar em acordo. 
sim: um dia quero estar numa sala toda enfeitadinha, preparada para receber as pessoas com flores, fotos e alegria, algo sendo feito no fogãozinho...lá fora tanto faz ser dia ou madrugada. num sofá macio, umas almofadas bacanas e o controle remoto perdido por ali. ambos, meu coração e eu, concordamos que seria bem feliz isso.
 na bancada do banheiro, as escovas de dente juntas no copo, gritando nossa intimidade de falar com a boca cheia de pasta pela manhã, contando coisas e rindo do dia que nem começou direito. essa parte deixou meu coração mais entusiasmado que eu, ele se empolgou com a história de tomarmos um café preto, com gosto de beijo e aquela preguicinha boa que dá depois de ler o jornal na cama. a gente ia procurar coisas legais pra fazer, disse eu ao coração. ele, qual criança que se anima com doces, enxugou o cantinho do olho, ainda marejado.
a gente pode não fazer nada também, passarmos o dia ali...lendo, cozinhando comidinhas boas, a cerveja gelada que eu ia fazer questão de buscar. ou podíamos ir pro mar. é, mar é ótimo, impossível não sorrir diante do mar. quero estar lá toda , inteira, serena.
quero olhar a cidade à noite também, ver as luzinhas piscando ao longe, adivinhar nas casas quem está contente.na verdade a gente queria estar contente ao lado de alguém bem bacana. tem que ter voz mansa e histórias pra contar.
nós íamos cuidar bem dele. era só deixar...cuidar e ser cuidado. ouvir e ser ouvido. 
ser riso. 
sorrisos.
sem siso. 
concisos. 
sonhos e cotidiano. ***

segunda-feira, 27 de junho de 2011

***maurício, o que você tá fazendo aí?***


***Fui ao Banco do Brasil hoje. Caiu o sistema, blá blá blá. Subi ao primeiro andar. Tinha um carinha, o Maurício. Ficava lá, sentadinho antes da porta giratória e dizia pras pessoas: "Oi, o que você veio fazer aqui?". As pessoas se enrolam. Não é fácil dizer o que se foi fazer num banco. "Maurício, seu lyndo, vim ver você!". Mentira, fui sacar um dinheiro, resolver um depósito, validar uma senha...Maurício me deu senho pro atendimento no caixa, tive que voltar lá e pedir outra, pra ser atendida por um gerente. "Oi Maurício, imagino que você leve isso pra sua vida pessoal, diga o que você veio fazer aqui sem pensar". Maurício riu, eu ri. Ir ao banco é feliz, mesmo com sua conta sangrenta e vermelhinha.***

sábado, 30 de abril de 2011

***conto de fadas real***

***Ontem, dia 29 de abril, o Príncipe William, da Inglaterra, casou-se com Kate Midletton. Televisão e  interntet cobrindo tudo e celulares e máquinas em punho no registro no local. A Bia foi com o João para Londres,assistir tudo de perto. Há quem se posicione contra, à favor, há quem diga que ele não é nada nosso. Ok, opiniões. Mas vejo nisso uma necessidade de acreditarmos que serão felizes para sempre, que tudo dará certo no fim. Quando seus pais se casaram, eu tinha apenas 5 anos e meio e me lembro de tudo com muitos detalhes: eu e minha mãe assistimos pela televisão encantadas, a transformação de uma plebeia em princesa. E olha que velhinha eu, posso dizer a famosa "vi esse menino nascer". Por alguma razão a família real britânica exerce esse fascínio. Quando Lady Di faleceu, estava em Barretos e vimos pela tv, incrédulos. Mitos não morrem. Com esse casamento não foi diferente: as transmissões começaram por volta das 6h, e eu sabia que se ligasse a tv perderia a hora, querendo saber do vestido de uma, do chapéu da outra, num claro exercício da futilidade que eu tenho direito. Não vi nada, a não ser uma foto do casal na escola, o que virou assunto para todo o intervalo.`A noite, numa gravação, acompanhei a cena do casal no balcão do palácio, acenando para a multidão ali presente. Sem vergonha nenhuma, confesso que chorei, emocionadíssima. Tão significativo esse gesto, de prestigiar seu líder, do mundo todo torcer por algo que não muda em nada seu cotidiano e para ser bem, mas bem piegas, uma festa para a crença no amor. Espero que sejam felizes para sempre, realmente.***