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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

***bárbara menina***

***era uma vez uma menina grande, de olhos espertos e cílios enormes. viva, inteligente, com histórias bacanas pra contar. namorava, estudava, trabalhava, cumpria funções de filha, de irmã, de amiga...uma vida que alguns consideram normal.
como todo mundo, às vezes as noites dela se tornavam mais escuras, pesadas e difíceis de serem atravessadas. bárbara nem sempre sabia da onde vinha essa angústia e como dar conta de fazê-la sumir. conviver com um bicho desses é tarefa complicada que exige remédio e análise. ou um abraço apertado e umas verdades bem ditas. nessas noites, creio eu, ela se esquecia que era luz e alegria na vida de muitas pessoas. uma pessoa que fazia a diferença, que tornava o ambiente mais colorido e vivo. sim, ela trazia consigo um tremor de terra instantâneo. uma vez cismou de implicar com um professor, coisa de menina boba e imatura. pois ela fez um senhor estrago, causou confusão e falatório. como quando deu uns beijos no cinema e virou assunto, fofoca e buchicho.eis que a bárbara menina grande não sabia, muitas vezes, que era linda e forte, guerreira, carinhosa e durona, menina-mulher, que sabia saborear o doce-amargo da vida. sim minha bárbara, a vida é amarga, é azeda, é salgada, é doce, é insossa também.
o que aquela menina não sabia é que era só uma noite escura: a vida era muito maior. e que mesmo essas noites ensinam, mesmo que não saibamos a lição ainda, que o entendimento demore.
vai ser feliz, barbaramente feliz!***

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

***na rua***

Ele tinha cabelos bagunçados, uma tatuagem que precisava de retoque e um jeito manso. Ela tinha uma filha, olhos azuis e coxas grossas. E apesar das aparências, o jeito dela não era nada manso.
Se encontraram pela cidade. “Me disseram que eu ficava com você, mas era um cara com um apelido que acharam parecido com o seu. Cansei de dizer que não, acho melhor a gente ficar e acabar com esse mal entendido”. Ele riu e a levou para casa. O vizinho resolveu se vingar do mundo e estava no meio da rua, com um pedaço de pau. Ela bem quis que o vizinho fosse morar no inferno.
Não se viram por anos. Numa noite de carnaval, ela se encantou pelo sorriso dele. Amanheceram juntos e separadamente seguiram seus caminhos. Até se encontrarem de novo. Um beijo escondido, telefones trocados e algumas conversas depois, ele disse que dormiria na casa dela. Ela, sem juízo algum, concordou. Na metade de uma garrafa de vinho ele a levou para o quarto. A beijou de leve, a beijou com vontade, a beijou muito. Sintonia. No dia seguinte ela chegou atrasada na pós-graduação. Ele se despediu com um beijo: sabiam que seria assim...sereno.
Às vezes se irritavam mutuamente, como um código. Ele dizia que ia casar com uma russa. Ela com um espanhol. O  celular dele sempre tocava na hora errada: isso a irritava de fato. Às vezes ele mandava um recadinho pedindo isso ou aquilo: ela invariavelmente atendia. Um dia ela começou a gostar dele. Ele sumiu. Ela achou melhor parar de gostar. Às vezes ela tem uma recaída.
Sempre que se encontram ele bagunça os cabelos dela. Sempre que se encontram ela geme o nome dele...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

***determino o que eu quero, sinto-me livre***

Pois é. Nem o meu pior dia eu acho ruim. Não dei a ninguém o direito de me entristecer. A ninguém.
Os piores dramas, as noites mais escuras, tudo é evolução.
Eu sou feliz todo dia.
No dia que chove e no dia que faz sol. Quando eu viajo e a casa é horrível, dou risada.
Quando viajo e tudo é maravilhoso, agradeço.
Quando não viajo, fico bem na minha casa, porque a minha casa me dá paz...
Eu nunca estou só. Mesmo quando estou sozinha.
O mais precioso tesouro está comigo há anos, meu José, meu amor maior. E nunca eu teria a ousadia de pedir a Deus um filho tão bom e perfeito como o meu. E mesmo assim Ele me deu.
Eu trabalho no que eu amo, e sou cercada de tanta alegria que não vou ficar velhinha nunca.
Eu adoro música e adoro o silêncio.
Eu tenho a plena certeza que tudo são fases: nas boas, alegria. Nas tristes, reflexão.
Eu determino o que eu quero e acontece.
Eu sou livre de todas as amarras.
Obrigada.